Expedição Norte-Sul: Conclui seu objetivo - São Luis (MA) até Oiapoque (AP) - 18 julho de 2005

Depois de muitos estudos e de conversas com velejadores locais, descobrimos que seria impossível continuarmos sem um apoio de um barco. E teria que ser alguém que conhecesse muito a região, pela quantidade de reentrâncias e bancos de areia que iríamos encontrar pela frente.

Nos apresentaram o lendário Manuel Português, velejador, pintor, marceneiro, mecânico e mais algumas coisas. Manuel saiu de Portugal na década de 60 com um trimarã de 9 metros e veio para o Brasil. Depois de mais de 20 dias de viajem sendo os últimos 6 sem comida, encostou na costa brasileira na altura de Jericoacoara. Usando somente uma bússola. Subiu a costa até chegar nas reentrâncias maranhenses onde se estabeleceu e constituiu família. Hoje mora no Outeiro/MA com mais 10 filhos e muitos netos.

Saímos da casa do velejador Cláudio Guimarães rumo ao horizonte, direto para o Outeiro 40 milhas adiante. Algumas milhas antes de chegar encontramos o veleiro de Manuel (Sucuri) e fomos acompanhando como se fôssemos caças escoltando um Boeing.

Ficamos cerca de uma semana na vila de Outeiro terminando os últimos ajustes no barco de apoio. Um dia antes de partirmos nosso amigo Fabio Braga chegou de Floripa para nos acompanhar no veleiro. Araí filho mais novo do Manuel foi junto no barco.

De Outeiro seguimos velejando por dentro das reentrâncias até a Floresta dos Guarás. Quando a maré mudou, e ficamos sem vento por causa do mangue muito fechado tivemos que subir no barco e fazer uns 15 kms a motor.

No outro dia depois de uma noite ancorados no final do igarapé, já em área aberta, entramos na água e fomos velejando até a Ilha dos Lençóis lugar muito bonito e de muitas lendas.

Depois da Ilha dos Lençóis rumamos mar aberto, Manuel, Araí e Fabio no veleiro, eu e Diogo de Wind. E assim foi durante alguns dias, velejávamos 5 a 7 horas por dia e no final de tarde entravamos no barco e tirávamos todas as velas só deixando a buja, vela pequena na frente, para o barco não balançar muito durante o merecido jantar e descanso.

Passamos a linha do Equador sem muitos problemas (a quilha não trancou), na altura do rio Pará. Depois de mais um dia de velejo chegamos em águas Amazônicas que a 100km da costa é tão doce que da para beber.

Vimos o Cabo Orange no final de tarde do dia 18 de Julho com o vento muito fraco, porém a favor, parecia que não chegava nunca. Do momento em que vimos o cabo, até chegar nele, levamos mais de 3 horas.

Cabo Orange, na baia do Oiapoque tem muito peixe, pássaros, mangues, animais que estão em extinção em outras regiões, são encontrados em abundância. Parece estar igual há quando o Brasil foi descoberto, totalmente selvagem. O ultimo farol do Brasil não está funcionando. Nenhuma luz no fim do túnel!!! A cidade do Oiapoque fica a mais de 90km para dentro do rio e por causa das pedras tem que se ir de dia.

Dormimos na frente de uma aldeia de índios do lado da Guiana Francesa, Trois Paletuviers. Era uma terça-feira e tinha acabado de acontecer um jogo de futebol entres as tribos, todos estavam muito bêbados. Ficamos bastante tristes ao perceber que como o governo francês paga salários as famílias indígenas, eles parecem ter perdido seus objetivos. Apesar de tudo ainda vivem da pesca e da caça. Como eles gastam os salário é que é difícil de saber.

No outro dia subimos até a cidade do Oiapoque, uma cidade que vive de forasteiros, muitos garimpeiros e pescadores se juntam com prostitutas, turistas Franceses e índios. Uma cidade bastante suja, que ainda vive na lei da selva...

Depois de 1 ano 2 meses e 1 dia completamos a missão, chegamos ao Oiapoque/AP, foram mais de 8 mil km velejados, muitas recordações e o mais importante novos amigos que nos acolheram de forma espetacular.

Agora todo litoral brasileiro, um dos maiores do mundo, já foi velejado por uma prancha de Windsurf.

Obrigado Diogo por ser um verdadeiro amigo para as piores e melhores horas dessa expedição, que era preciso muito mais força psicológico do que qualquer outra coisa.

Obrigado a todos que colaboraram e ajudaram na conquista desse sonho.

Por: Diogo Guerreiro e Flavio Jardim
Data: 12/08/05

 
 
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