Depois de um mês no Rio de Janeiro, onde fechamos um novo patrocínio com a VIVO e fizemos uma série de entrevistas para imprensa, tivemos que sair as pressas para Búzios/RJ, onde daríamos uma palestra sobre a viagem para UFRJ. Decidimos então que partiríamos de Búzios para seguir viagem e que nosso último trajeto a ser percorrido na viagem será Búzios - Rio de Janeiro, onde haverá um festa na praia e todos os velejadores do Brasil, de Kite e Wind, estão desde já convidados a fazer este trecho conosco.
Após a palestra, partimos de Manguinhos, Búzios, com um ótimo vento sul. Nos despedimos do Bimba e disparamos rumo a Macaé/RJ. Acabamos não conseguindo chegar lá, pois o vento parou e saimos no Mar do Norte, localizada a 50 km de Búzios e 12 km de Macaé.
No dia seguinte, o vento já soprava novamente de nordeste, o que nos obrigou a fazer um cansativo contra-vento até Macaé. Quando estávamos quase chegando, à uns 5 km da costa, minha (Diogo) retranca quebrou. O Flavio já tinha chegado na praia. Inverti o lado da retranca e segui penosamente até a praia de cavaleiros. Fomos para o Rio de Janeiro e o Serginho nos mandou a peça sobressalente de Ilhabela.
Uma semana depois estávamos novamente prontos a seguir viagem. Partindo de Macaé as pressas, devido ao alto custo de vida da região, nem quisemos esperar o vento sul que estava por vir e mais um contra-vento nos separava de nosso novo destino, Farol de São Tomé. A orça era folgada e conseguimos cumprir nosso trajeto sem contra tempos.
O Farol de São Tomé se mostrou a típica cidade litorânea brasileira que gostamos de parar. Um povo muito educado, hospitaleiro, pousadas baratas e uma comidinha muito gostosa. Tivemos a oportunidade de acompanhar o pessoal do Projeto Tamar, na desova das tartarugas marinha na praia da região. Foi muito especial! Ficamos das 10 da noite às 3 horas da manhã observando esse animal magnífico com mais de 100 anos e 250 kg colocando os ovos.
O dia seguinte amanheceu com uma condição mais do que perfeita para viajarmos, vento sul de 15 nós, mar pequeno, sol, bem, não podia estar melhor. O único problema é que só tinhamos dormido por 3 horas, mas não podíamos negar este presente da natureza. Realmente foi demais. O melhor percurso da viagem até agora. Velejávamos rapidamente cruzando as águas do norte do estado do Rio de Janeiro, com uma vida marinha surpreendente. Vimos baleia, cação, tartarugas, peixes e golfinhos, o que deixou o trajeto ainda mais interessante. Foram 75 km até Santa Clara/RJ, com direito a paradas em praias desertas e habitadas. Finalmente estávamos recuperando o ritmo da viagem, perdido desde Ilhabela e ainda mais no Rio de Janeiro.
A frente fria foi forte o suficiente para mais dois dias de ventos favoráveis. De Santa Clara fomos pra Barra do Itabapoana, divisa entre os estados do Rio e do Espírito Santo. Um trajeto supreendente, onde à uns dois Km da praia quebram ondas e para nossa supresa, de repente estávamos detro da arrebentação. O fundo era de pedra e me fez cortar os pés. Felizmente nada de grave. A cidade da Barra de Itabapoana fica dentro do rio. Foi um passeio muito legal até lá. Demontamos os equipamentos e usamos os mastros de remo.
Dia seguinte o vento maral de leste nos levou até Marataizes/ES. A sequência de velejos seguidos, e o pouco sono que estávamos dormindo, nos fez acumular um cansaço muito grande. E após mais uma noite seguimos pra Piúma/ES. Chegamos lá exautos e dormimos na beira da praia mesmo, junto com os equipamentos. Essa frente fria nos ajudou muito, porém nos deixou exautos.
Estamos finalmente numa região onde venta bastante e podemos seguir com constância rumo norte. Aos poucos estamos nos readaptando ao ritmo da expedição. O mais especial são as pessoas que estamos encontrando ao longo de todo litoral, pessoas que nos ajudam pelo simples fato de ajudar, sem pedir nada em troca. Isso acaba nos abastecento com mais vontade de seguir em frente.
Por: Diogo Guerreiro
Data: 17/11/04 |