Os dias que passamos em Morro de São Paulo foram muito agradáveis. Aproveitamos o final da frente fria para seguirmos para Salvador, foram 6 horas velejando sem planar, porém a direção do vento colaborou com nosso rumo.
O carnaval estava chegando e por coincidência, eu juro!!! Mesmo que digam o contrário, que foi coincidência estarmos no carnaval em Salvador. Bem, já que estávamos lá, aproveitamos, foram dias bem agitados, pessoas de todo Brasil. Como todos os hotéis estavam lotados tivemos que sair atrás de algum lugar pra ficar, passamos um dia num veleiro de um amigo e outros dias no tatame da academia do Iate Clube de Salvador.
Pegamos uma fraca frente fria e seguimos nossa viagem. Acabada definitivamente as férias e festas, poderíamos recuperar novamente nosso ritmo e gastos que se elevam drasticamente no período de férias, pois tudo fica mais caro.
Depois de passarmos pela Praia do Forte onde visitamos o projeto Tamar e pela famosa Costa do Sauipe, chegamos na mais do que pacata Caueira, nossa primeira parada em Sergipe. O contraste era inacreditável. Há poucos dias estávamos no carnaval de Salvador, junto com milhões de pessoas, agora em Caueira, andávamos pelas ruas e não conseguíamos ver uma única pessoa.
Ficamos num prédio em construção, quando acordamos para tomar café, um problema: onde comprar algo pra comer? Não existia nada aberto. De repente uma pequena buzina ressoa longe. Um rapaz vendendo pão de bicicleta. Salvos! Mas esse fato era provisório, precisávamos sair de lá e ir para Aracajú, distante cerca de 40 km. Não ventou e resolvemos seguir caminhando mesmo. Foi uma caminhada difícil, com o material desmontado em cima da prancha, caminhando pela beira do mar até a foz do Rio Vaza Barris.
O vento aumentou um pouco e cruzamos o rio velejando. Acabamos chegando a Aracajú depois de 9 horas de caminhada e velejo. Com alguns dias de vento maral fraco, conseguimos chegar à praia do Francês em Alagoas, há poucos quilômetros de Maceió. Entrou um vento nordeste forte com mais de 20 nós, já fazia tempo que não planávamos. Mesmo de contra vento foi muito bom o velejo.
Chegamos em nossa décima capital de estado. Deixamos nosso equipamento no Iate Clube de Pajussara e ficamos muito bem hospedados na casa de nosso amigo Tonho. Um pouco mais próximos da região de ventos mais favoráveis. Estamos contentes e ainda mais confiantes com a expedição. Fomos convidados pelo projeto Lagoa Viva para darmos uma palestra na Escola Silvestre Péricles. A palestra foi boa e pudemos enfatizar nossa preocupação com a preservação do meio ambiente e com o desenvolvimento sustentável, inclusive dando o exemplo do problema ambiental em Recife onde tem ocorrido diversos ataques de tubarão.
Por:
Diogo Guerreiro e Flavio Jardim
Data: 26/03/05 |