Papua Nova Guiné
05 abril, 2010
Depois de 7 dias de viagem tranqüila com lotação máxima a bordo - 6 pessoas - eu, Diogo, Mailyn, Alizé, Morongo e Marisa chegamos na Papua Nova Guiné, na cidade de Kavieng, capital da província de New Ireland.
Na Papua, os recursos naturais, inclusive as bancadas de coral pertencem as tribos. Isso surgiu a milhares de anos como uma forma de organizar os recursos pesqueiros das pequenas comunidades. O reflexo hoje em dia disto, é que para surfar é necessário pagar para o proprietário do reef. Numa forma de organizar, surgiu uma associação de surf. Antes de chegarmos o Diogo já havia entrado em contato com o John, presidente da Associação de Surf da Papua, NASA. Para surfarmos, teríamos que pagar e reservar os dias que queríamos. A taxa é de 100,00 Kinas (2,50 kinas equivalem a 1 US Dolar) uma vez por ano para fazer a carteirinha de associado, e depois 20,00 Kinas por dia.
Em Kavieng ficamos ancorados em frente da Ilha de Nusa. Quando chegamos haviam mais 7 barcos no ancoradouro, mas em menos de uma semana já estávamos sozinhos na baia. Inclusive éramos o único veleiro estrangeiro em toda região
Em Kavieng encontramos supermercados razoáveis, inclusive para os padrões da Papua. O básico pode ser encontrado, mas qualquer supérfluo como chocolate, já não existem. Há lojas de utensílios, compramos um botijão de gás novo e reabastecemos de diesel e gasolina, através de barris. Um grande mercado central possuí além de muitas cores, diversos legumes e vegetais.
Ainda com Morongo e Marisa seguimos para um dos melhores locais de surf da região. Ungalik é uma pequena ilha que abriga 600 pessoas, mais da metade crianças. Como o lugar é muito, mas muito remoto mesmo, a aproximação de um veleiro foi a sensação do mês. Logo algumas canoas nos rodearam e um homem se apresentou para nos levar para conhecer a vila. Seu nome era Lawrence.
Nessa primeira vez que fomos, passamos 10 dias na ilha, que não tem energia elétrica, banheiros, gás, nada industrializado. O céu é excepcionalmente estrelado, as frutas suculentas e abundantes, e as crianças alegres e curiosas. Foi de longe o local mais primitivo e rico culturalmente que já passamos.
Nossa moeda ali foram roupas e arroz, que trocamos por frutas - limão, mamão, que na língua local é popo, banana, coco e maracujá. Chegamos a alugar nossa prancha para um nativo por 3 mamões, 4 cocos e 6 maracujás.
A ilha é cercada de ondas. Duas nos chamaram a atenção. A primeira, uma esquerda divertida, fácil, perfeita que quebra na ponta nordeste da ilha. A segunda é um Slab, na entrada de uma baia um pouco mais afastada. Um tubo perfeito, triangular. Esquerda e direita. Uma onda bonita de se ver, fotogênica, mas difícil, muito difícil de surfar que quebra sobre uma bancada ultra rasa. É uma onda inesquecível, mas que cobra seu preço. Diogo pegou vários tubos e varias vacas, eu varias vacas, alguns tubos e 2 pontos na cabeça. Quebramos algumas pranchas.
Depois que Morongo e Marisa se foram, recebemos a bordo a família Nalu - Pato, Fabi e Belinha. Uma experiência nova para gente, receber uma criança de 2 anos a bordo. Mas foi ótimo, mudou a rotina do barco. O Pato fissurado não só por surf, mas por pesca também, em 10 dias acabou o combustível do botinho que geralmente dura 2 meses, indo fazer caça sub, curricar, conferir uma onda, etc. Ver a Belinha junto com a criançada de Ungalik foi muito legal, ela se divertiu demais.
A Papua Nova Guine, é um lugar totalmente diferente do que estávamos vendo até então na volta ao mundo. A cultura é muito preservada e ao mesmo tempo falam inglês o que facilita muito a comunicação. É um povo que deixa suas casas e vilas extremamente limpas, embora o desodorante seria muito bem vindo por aqui. Apesar de tantas pessoas terem nos dito que é um país muito perigoso e sem lei, pelo menos nos locais que passamos, não tivemos medo algum, muito pelo contrario, nos sentimos muito seguros em todas as vilas.
Um diferencial da população é o aspecto físico. São negros e não polinésios ou maoris como nos países ao redor. Os cabelos das crianças e de muitas mulheres são loiros e até vermelhos, que é também a cor do dente da maioria dos adulto, devido a uma mistura que eles passam o dia inteiro mascando. A semente de um coquinho, com um pó branco que é coral triturado e uma planta que eles chamam de mostarda. Dizem que deixa a pessoa relaxada, mas eu testei algumas vezes e não senti nada. Talvez devesse mascar também o dia inteiro para sentir algo.
Antes de seguir viagem para Vanimo, e depois Indonésia, recebemos ainda o Carlos Carpinelle, diretor de marketing da Mormaii e o fotógrafo James Tisted, para uma produção especial de produtos na Papua Nova Guiné.
Seguimos viagem e depois de enfrentar alguns dias de correnteza contra forte, passar por ilhas paradisíacas e não poder parar, pois estávamos com o prazo de nossos vistos se esgotando na Papua, tínhamos que entrar com a papelada para solicitar o visto da Indonésia e dar saída do país.
Nos despedimos dessa cultura e experiência maravilhosa na cidade de Vanimo, que foi outra boa surpresa. Uma cidade organizada, com pessoas acolhedoras e aonde encontramos suprimentos para conseguir cruzar ate Indonésia.
Agora seguimos para uma travessia de uns 15 dias, através de um mar pouco visitado por estrangeiros, cheios de ilhas e povos remotos, mas que não poderemos visitar por motivos burocráticos relativos a entrada oficial na indonésia e também por segurança, pois algumas destas ilhas mulçumanas não apreciam o turismo.
Diário de Bordo - Guadalupe as Ilhas Virgens
05 fevereiro, 2009
O peixe-rei
O barco sacudiu e nós também quando enfrentamos um vento forte e ondas contra no canal entre Dominica e Guadalupe. Como não tínhamos visto para Guadalupe, nos aproximamos de terra para contemplar a paisagem. Guadalupe no passado era chamada de Satanases, pois além dos dois vulcões ativos, a tribo que habitava a região – os Caribs – era extremamente territorialista e praticavam canibalismo também.
O desejo de conhecer o local foi amenizado por outro evento. Nossa carretilha começou a zunir e detectamos que algum peixe de porte grande havia mordido nossa lula artificial.
Era uma batalha dura e cada vez que o peixe parava de nadar por um momento, nós recolhíamos linha. Quando o peixe decidia nadar com força, éramos obrigados a liberar linha novamente, com medo de ela estourar. Foi somente quando o peixe estava a poucos metros do barco que finalmente conseguimos vê-lo. Era azul marinho e refletia a luz do sol. A briga, no entanto ficou ainda mais intensa. Enquanto eu (Diogo) recolhia a linha na carretilha, ouvimos um estalo alto. A carretilha havia quebrado. Sem perder tempo comecei a puxar a linha com a mão e Flavio pegou nosso arpão e passou para o Morongo. Recolhi mais linha e trouxe o peixe para bem próximo do barco. Morongo apontou o arpão e disparou. No mesmo instante a linha rompeu, mas o tiro foi certeiro.
Puxamos o peixe para dentro do barco. Era um King-Fish (peixe-rei) e merecia o nome. Pesando perto de 20 kg, esse belo peixe nos alimentaria por seis dias.
Chegamos à Antigua durante a noite e ficamos impressionados com o tamanho dos iates. Os mastros dos maiores eram tão altos que pareciam enormes antenas.
Diferente das outras ilhas que conhecemos no Caribe, Antigua é uma ilha muito mais habitável, pois suas montanhas são menos íngremes. A costa é muito recortada e a água incrivelmente clara. Alugamos um carro e fomos conhecer a ilha. O passeio valeu a pena.
Como nômades, seguimos em frente. St. Maarten é uma ilha Duty Free. Saímos as compras e deixamos o Itusca ainda mais equipado. A aquisição mais importante foi um filtro de água, para não precisarmos mais comprar água para beber, assim podemos usar nossos 800 litros do tanque e mais a água produzida por nosso dessalinizador. Outra compra simples, mas importante foram as lâmpadas de LED para nossas luzes de navegação. Elas são muito mais econômicas que as convencionais. Economia de energia no veleiro é fundamental.
Nosso amigo Bernardo desembarcou em St. Maarten e nós velejamos para as Ilhas Virgens, mais especificamente para Virgem Gorda. Ali recebemos nosso amigo e campeão mundial de windsurf Kauli Seadi e sua namorada Manu. Ficamos com lotação completa. Oito pessoas a bordo – eu (Diogo), minha esposa Mailyn, Flavio e sua namorada Daniela, Morongo e Marisa e nossos novos convidados.
A ilha é especialmente bonita e a água é muito clara. Navegamos para a parte norte e ancoramos numa espécie de lagoa.
Kauli é uma pessoa superativa e trouxe informação de que na ilha de Anegada encontraríamos ondas. Desde que colocou os pés no barco, ele ficou nos incomodando para que fossemos para Anegada.
Anegada é a ilha mais ao norte da Ilhas Virgens. Diferente de tudo que encontramos até então, é uma ilha completamente plana, com o pico mais alto menor do que dez metros. A ilha fica protegida por uma larga barreira de coral que já produziu mais de 300 naufrágios.
Aproximamos-nos com cautela de ponta noroeste e notamos que as ondas, apesar de não estarem muito grandes, quebravam sobre a bancada. O vento soprava forte e decidimos montar os equipamentos de windsurf. Foi muito divertido e especialmente porque pudemos ver as manobras incríveis do Kauli.
À tarde Kauli mergulhou nos arrecifes em frente ao barco e pegou uma belíssima lagosta, que foi imediatamente devorada por todos nós.
O dia seguinte amanheceu com vento fraco e boas ondas. Pegamos nossas pranchas de stand-up paddle e fomos surfar. Mais um dia de muita diversão. Esse espírito de viajar de veleiro, velejar de wind, kite, surfar, mergulhar e descobrir novos locais é que faz valer a pena todos os 8 anos dedicados no planejamento de nossa volta ao mundo.
De Tobago a Dominica
11 janeiro, 2009
Tobago:
O vento soprava contra e o Itusca, que cavalgava as ondas persistentemente, carregava consigo além de mim (Diogo) e Flavio, mais três pessoas: Mailyn, minha esposa, Morongo, nosso patrocinador e sua esposa Marisa. Trinidad desaparecia sob o dia nublado enquanto Tobago, sua ilha irmã, tentava com dificuldade surgir à nossa frente. Era noite escura quando finalmente chegamos e baixamos a âncora sem saber o que esperar de Tobago. A água é clara? O povo é amigável? A ilha é montanhosa ou plana?
A noite levou consigo praticamente todas as nuvens e nos sentimos bem vindos à pouco povoada ilha. Na imigração tivemos sorte porque conhecemos um brasileiro – Marcelo - que estava de veleiro há dois meses ali e nos passou várias dicas dos locais que deveríamos conhecer.
Navegamos rumo a nosso primeiro destino, a baia de Pigeon Point. A ilha se mostrou, logo nas primeiras curvas, um lugar muito bonito, e as primeiras perguntas que havíamos nos feito estavam sendo respondidas de forma promissora.
Pigeon Point é um local bem pacato e na ancoragem havia somente cinco veleiros. A água clara era um convite para mergulharmos. Por dois dias mantivemos uma rotina de contemplação e alguns esportes. Velejamos de kite, mergulhamos e remamos em nosso caiaque e sobre a prancha de paddle surf.
De lá seguimos para a ponta nordeste da ilha, um lugar chamado Charlotte Ville. Pouco antes de chegarmos cruzamos com um pequeno barco pesqueiro que puxava algumas linhas de currico. Com linguagem gestual perguntamos se haviam pescado algo e recebemos uma resposta positiva. Também gestualmente eles nos disseram que iriam depois ao nosso barco.
Charlotte Ville surgiu como uma baia profunda e protegida por montanhas mais altas que as encontradas nas outras partes da ilha. Um punhado de veleiros se abrigava num pequeno recanto na parte norte da baia, conhecida com a baia dos Piratas. Foi ali que soltamos âncora, prestes a conhecer um local muito especial. A mata verde e cheia atrai a atenção para si e o uso de uma máscara de mergulho possibilita fazermos uma transição para um cenário tão magnífico quanto. Alguns corais pareciam coqueiros e dançavam ao sabor da maré. O pequeno pesqueiro que havíamos encontrado encostou ao nosso lado e mostrou um belo atum e fizemos um ótimo negócio para ambas as partes.
Embarcamos em nosso bote inflável e rumamos para conhecer a vila. Imediatamente percebemos que se tratava de um vilarejo muito simples, preservado e acolhedor. Entramos num restaurante de frente para o mar. As mesas eram todas diferentes e existiam duas paredes em forma de “L” que delimitavam o lugar. Peixe ou frango? Cada um fez a sua escolha e aguardamos. É estranha a sensação de chegar de veleiro num lugar desconhecido e descobrir ali algo especial. Charlotte Ville é um lugar assim. Tudo é especial e podemos sentir a energia positiva. O povo sorri e acena com a cabeça quando passamos. E nós tivemos dificuldade em manter o sorriso guardado enquanto esperávamos nossa comida.
Passamos alguns dias ancorados da baia dos Piratas. Todos os dias surfamos de paddle surf, mergulhamos e passeamos no vilarejo. Na pequena praia, em frente ao barco, um pequeno riacho serviu para esfregarmos algumas bermudas e camisetas usadas.
Num dia fomos convidados por Frank, pescador local, para sairmos numa pescaria. Eu e o Flavio aceitamos e às 6hs da manhã embarcamos no pequeno barco de madeira. Seria um longo dia e se soubéssemos disso talvez não tivéssemos embarcado. Por seis horas sacudimos e nos molhamos sob o sol escaldante na tentativa de pescarmos o apreciado King-Fish. O método usado por todos os barcos na região é o currico. Cinco linhas são soltas e arrastadas com lulas artificiais enquanto o barco ziguezagueia o mar. Frank observava sinais que não conseguíamos detectar. Um peixe voador, um pássaro, uma nuvem. Mas não encontramos o King-Fish. As horas passaram maltratando o nosso corpo e pudemos valorizar a persistência desses pescadores. Foi bom também porque aprendemos algumas técnicas para pescarmos no Itusca.
Partimos de Charlotte Ville um pouco tristes, mas também ansiosos para saber o que encontraríamos em nosso próximo destino: Grenadines e St. Vicent.
St. Vicent and Grenadines
A travessia de 160 km até as Grenadines foi excelente e nosso veleiro cortou velozmente a água quente e clara do Caribe. Tobago é um local de transição entre a América do Sul e o Caribe e por isso estávamos ansiosos para chegar logo.
Nossa primeira parada caribenha foi Tobago Keys, um conjunto de ilhas planas, areia branca e água cristalina. Diversas cenas do filme Piratas do Caribe foram filmadas ali.
Partimos de Tobago Keys sem saber qual seria nossa próxima escala. Isso é o bom de viajar de veleiro, com um ajuste nas velas, e uma leve mudança no leme, nós podemos ir para diversos destinos. Decidimos conhecer Béquia, uma ilha de velejadores. A enorme baia abriga uma centena de barcos. As montanhas ao redor nos fez sentir ainda mais bem acolhidos. Seguimos nosso ritual e saímos para caminhar e explorar a ilha.
O Caribe atrai todos os anos milhares de veleiros que passam meses navegando suas águas. É muito fácil entender o por quê. Especialmente na parte leste, as ilhas formam um largo “C” e uma ilha fica sempre próxima de outra. Algumas são muito movimentadas e preparadas para o turismo e às vezes, na ilha ao lado vive somente a população local com seus costumes particulares. Em alguns locais os nativos tem iguanas como animal de estimação e vimos um que tinha tanta intimidade que mordia a língua do animal. Os barcos apresentam igualmente um amplo contraste. Barcos pequenos e quase destruídos dividem os ancoradouros com mega-iates de bilionários.
Outro fator de atração no Caribe é sua posição geográfica. Além de ficar dentro da área de abrangência dos ventos alísios (ventos constantes que sopram o ano inteiro), a temperatura do ar e da água é perfeita.
Seguindo nossa intenção de explorar as Grenadines, fomos para glamurosa ilha de Mustique.
St.Vicent é a capital das Grenadines e nos dirigimos para lá sem saber o que esperar. Paramos na Blue Lagoon, uma pequena baia cercada de arrecifes. Do barco observamos ondas quebrando no lado sul da baia e sem pensar duas vezes pulamos com nossas pranchas no mar.
As ondas não estavam grandes, mas eram muito divertidas e sufarmos por três dias só eu, o Flavio e o Morongo. O astral de surfar ao lado do veleiro é demais e só foi uma pequena amostra do que encontraremos pela frente.
À medida que seguimos para o norte de St.Vicent, encontramos locais pouco explorados turisticamente e mergulhamos num cenário de tirar o fôlego. A montanha escarpada é pontilhada por algumas casa e plantações tão íngremes que só fazendo rapel deve ser possível plantar e colher.
Martinique e Dominica
A travessia entre Sta. Lucia e Martinica foi com ventos fortes e mar agitado. A bordo, para passar alguns dias conosco estava nosso amigo Bernardo Santos.
Chegamos em Le Marin, uma enorme baia muito protegida e dividimos o ancoradouro com centenas de barcos. Como de costume nos dirigimos para fazer a aduana e a imigração e descobrimos que era necessária a presença de um visto. Como não possuíamos, a polícia veio me entrevistar. Por algum momento a situação pareceu tensa, mas felizmente nos emitiram vistos para 4 dias.
Apesar de estarmos no Caribe, Martinica representa muito bem o país ao qual faz parte: a França. Além, obviamente da língua ser o Francês, a comida e a arquitetura também lembram muito.
Como nosso visto ia expirar, seguimos adiante para Dominica. Na travessia entre as duas ilhas soltamos nossas linhas como aprendemos em Tobago e com lulas artificiais nas extremidades. Sentimos uma forte puxada. Tínhamos fisgado algo grande! Flavio começou a recolher a linha e não nos custou 1 minuto para descobrirmos o que havíamos fisgado. Um enorme e incrível Dourado. Ele era o peixe mais lindo que já havíamos visto e parecia saber disso porque dava saltos altos ao lado do barco. Quando ele rompeu a linha, não conseguimos ficar chateados.
Sendo uma ilha inglesa, não tivemos problemas com imigração. Sabíamos muito pouco sobre essa ilha e notamos imediatamente que o número de veleiros ancorados era muito reduzido se comparado com as outras ilhas que havíamos visitado. Felizmente, para nós que gostamos de veleiros, ficamos deslumbrados quando um mega - super veleiro ancorou ao nosso lado. Seu nome é Falcon e recebeu o prêmio de melhor iate construído nos últimos 100 anos. Ele está à venda pela barganha de 118 milhões de Euros. Alguém quer comprar?
Dominica é uma ilha vulcânica alta e a exploração de seu território foi muito dificultada pelo relevo dramático, o que por outro lado ajudou a preservá-la. Enquanto percorríamos a ilha em direção ao norte, contemplamos felizes a bela encosta beijada pela água azul. Alguns peixes grandes se aproximaram do barco e fizemos um ótimo mergulho.
Na parte norte da ilha, fizemos um belíssimo passeio no Indian River. Fomos com o guia local Andrew que era também nosso remador. No rio que serpenteia pela floresta tropical não é permitido motor. Era uma paisagem e um ecossistema que não esperávamos encontrar no Caribe. Mais uma vez encontramos outra locação do filme Piratas do Caribe…
Estamos prontos para seguir rumo norte. Nossa próxima parada prevista é Guadaloupe.
Diário de Bordo - Florianópolis à Trinidad & Tobago
29 outubro, 2008
Chega ao fim à primeira parte da viagem. Depois de 2 meses de viagem chegamos a ilha caribenha de Trinidad e Tobago.
O trecho da costa Brasileira foi excelente, com ventos a favor quase que o tempo todo.
Tivemos alguns problemas técnicos no barco, como consumo de bateria excessivo, quebra do piloto automático (duas vezes), curto no inversor e em duas bombas de porão, entre outros pequenos problemas que agradecemos terem acontecido na costa do Brasil, pois foi um aprendizado na área de eletrônica muito importante para gente. Tivemos dicas de vários velejadores que agradecemos muito.
Tivemos a oportunidade de parar em Ilhabela/SP, Rio de Janeiro, Cabo Frio/RJ, Vitória/ES, Abrolhos/BA, Camamu/BA, Morro de São Paulo/BA, Salvador, Recife/PE, João Pessoa/PB, Natal/RN e nosso ultimo porto Fortaleza/CE.
Salvador foi o primeiro porto que tivemos um verdadeiro contato com os velejadores, muitos barcos estavam subindo para Refeno e esperavam la boas condições para seguir viagem. Contatamos Crespo um velejador que nos inspirou nessa aventura, ele foi totalmente atencioso e nos deu varias dicas excelentes.
Em Recife, Rafael que estava conosco voltou para Garopaba, porem recebemos as meninas de nossas vidas, Daniela Aguiar namorada de Flavio e Mailyn Guerreiro esposa de Diogo, elas nos fizeram companhia até chegarmos a Fortaleza e transformaram a viagem ainda melhor. Conhecemos Maracaípe com o Big Rider Rato Fernandes, Porto de Galinhas, e Olinda com toda a sua historia, uma das cidades mais antigas do País. Tivemos uma atenção especial de nosso grande amigo Marcelo Lacerda e sua família. O velejador Vicente Galo proprietário do trimarã Ave Rara referencia na regata internacional Recife – Noronha, também nos deu um grande suporte na cidade.
Depois de uma noite de travessia e uma impressionante adaptação das meninas ao mar chegamos a Cabedelo o porto de João Pessoa/PB, mais exatamente no Jacaré, um dos lugares do Brasil com por sol mais bonito, ao som do Bolero de Ravel tocado com sax em canoa na frente dos bares da região.
Mais 80 milhas e 12 horas de viagem estávamos passando por baixo da recém inaugurado ponte de Natal/RN onde sem perder tempo saímos para um passeio de buggy pela região. No outro dia, Pipa foi a praia escolhida para conhecermos.
A travessia para Fortaleza foi um pouco mais longa, demoramos 2 noites e 1 dia de viagem e Dani e Mailyn sentiram um pouco melhor o que passamos. Estavam desesperadas para pisarem em terra firme.
Fortaleza foi a cidade onde mais encontramos amigos e tivemos também um grande apoio, Gil Bezerra nos impressionava todo o dia nos acompanhando nos programas mais turísticos da região, como o Beach Park , parque das piscinas na cidade vizinha de Beberibe. Jantamos também com grandes amigos como Dudu Mazocatto, Plínio e Adriano Lavezzo, e o campeão mundial de Windsurf Freestile Marcilio Brow que nos acompanhou junto com o Gil num velejo mais ou menos, mas que matou a fissura, na praia do Pacheco.
Compramos nossos suprimentos, muita comida e bebida, diesel nos tanques e água doce, nos despedimos das meninas e de nossos amigos e rumamos a nossa mais longa travessia, 1670 milhas, para Trinidad e Tobago. Agora so o Flavio e o Diogo a bordo do ITUSCA.
Os primeiros dias de travessia foram ótimos, fizemos cerca de 180 milhas por dia, o mar liso, estava tudo perfeito. Quando chegamos na altura do Oiapoque pegamos em menos de 20 minutos 5 peixes, 3 atuns, 1 dourado e 1 barracuda, devolvemos dois ao mar e nos deliciamos por 3 refeições com os outros.
Nos outros dias o vento começou a ser cada vez mais raro, sendo que motoramos quase 5 dias seguidos para podermos chegar ao nosso destino. Usamos muito nossa vela balão sempre que dava ela estava em cima tentando capturar o maximo de vento possível na calmaria interminável.
Estávamos passando pela zona dos doudrames perto da linha do Equador e as calmarias são seguidas de tempestades com ventos de mais de 30 nós, estávamos tão desesperados por ventos que seguíamos as chuvas para poder desligar os motores por algumas horas.
Dia 6 de outubro chegamos a ilha de Trinidad depois de 12 dias de travessia. Aportamos em Chaguarama onde conseguimos um estaleiro para tirarmos o barco da água, minimizando ao maximo as chances de o barco sofrer algum dano por furacões que nessa época assombram o caribe.
Dentro de 2 meses soltaremos as amarras do ITUSCA rumo ao caribe, Grenada aguarde…
Texto: Flavio Jardim




