Arquivos de março, 2009

 

Canal do Panamá

26 março, 2009



 



Não tínhamos idéia do que esperar quando chegássemos ao Panamá. Ao pesquisar na internet, não encontramos nenhuma fonte segura que nos informasse ao certo como seria a travessia do Canal do Panamá. Conversando com outros velejadores, cada um dizia uma coisa, tanto do tempo de espera, quanto do preço do transito do Canal.

Chegamos ao Panamá direto da Republica Dominicana, e que foi até agora a pior travessia que o Itusca enfrentou, mas felizmente ele se comportou muito bem. Aportamos na cidade de Colón do lado do Atlântico.

Como tivemos tantas dificuldades de saber a respeito do Panamá, vamos passar todas as informações necessárias para o transito do canal.

Antes de chegar reservamos lugar na Marina Shelter Bay, (www.shelterbaymarina.com) é muito importante reservar espaço pois a marina é pequena, ainda mais depois que o Panamá Canal Iate Clube foi fechado (Mar/09). O preço é em torno de 1,10 dólares o pé dia até uma semana, depois baixa para 0,66 cent de dólar por pé dia. Catamaran tem acréscimo de 50%.

Para dar entrada no País é um pouco mais complicado que o normal. Além da cidade de Colón ser muito perigosa, a burocracia de Customs e Imigration é grande e se faz necessário ir em diversos lugares diferentes:

Imigração: pegar um papel de entrada da tripulação (antes ficava do PYC);

Banco do Panamá: comprar um selo de 5 dólares por pessoa;

Prédio da Imigração no centro: tirar o VISA. Precisa ter uma foto do rosto, a mesma do passaporte (15 dólares por tripulante);

Customs pegar um Cruising Permit (30 dias, 29 dólares).

O táxi custa 1 dólar dentro da cidade e 2 a 3 para os arredores.

Tem um ônibus grátis todos os dias às 8 da manhã da Marina para a Cidade de Colón (Shopping 4 Altos), volta às 11 e meia.

O táxi da cidade para a Marina custa em torno de 15 a 20 dólares. O segredo é pegar carona com a van do Supermercado, pois como todos estão fazendo estoque para o Pacífico e o super leva para marina acima de 200 dólares é relativamente fácil conseguir.

Depois de todo o tramite da Imigração e Customs, a próxima parte é o transito do canal do Panamá.

Marcar a data da medição e vistoria da embarcação, pagar as taxas no City Bank, (barcos até 49 pés pagam 610 dólares mas um calção de 860,00 que é devolvido logo após a passagem do canal se nada der errado. Barcos acima de 50 pés pagam 750 dólares, essa medição é feita dos dois extremos do barco, então se o Bote ou algo esta para fora conta como se fosse barco, não interessa a medida da documentação da embarcação). Quanto a fila do trânsito do canal, varia de ano para ano. No nosso caso, se feita com despachantes era de até 4 dias, feita normalmente no máximo uma semana. Dados de Mar/2009. Recomendo mandar e-mail ou ligar para Marina ou para o Tito.

Tanto a parte de Imigração quanto a travessia do canal existem dois despachante que podem facilitar a sua vida.

# Victor, motorista do Ônibus da Shelter Bay ou como optamos e recomendamos:

# Tito e recomendamos, (Service to transit the Panamá Canaln - fone (507) 64635009 titoservice2009@hotmail.com)

Cobrou-nos 50 dólares pela imigration, customs e travessia e mais 50 dólares para dar a saída do país. Recomendamos já fazer a saída de Colón, com múltiplas escalas.

Com Tito pode-se alugar os cabos, para o transito. É necessário 4 cabos de 40 metros (125 pés) sem emenda e 22mm de espessura.

É recomendável não usar as suas defensas e sim pneus que podem ser comprados por 3 dólares cada ou ficar atento na net todos os dias as 8 da manhã no canal VHF 74 onde outros barcos que estão no sentido contrario informam sua chegada e se alguém necessita pneus pode consegui-los de graça.

Colón é uma cidade perigosa aonde todos os turistas andam de táxi entre uma quadra e outra. Não recomendamos ficar caminhando nas ruas secundárias. Porém é um bom lugar para abastecer de suprimentos para o Pacífico, pois os supermercados entregam na Marina quando a compra ultrapassa 200 dólares. Os preços são normais, segundo relatos de amigos que vieram de Cartagena na Colômbia pode-se começar a estocar lá, já que oferece preços melhores. Vindo mais do norte, os melhores preços encontramos em Porto Rico. No Panamá confira o Supermercado REY, Super 99 e MegaDepot.

Colón também possui a segunda maior Zona Livre do Mundo, onde se encontra vestuário, eletrônicos, etc. com bom preços.

Quanto ao abastecimento de combustível, pagamos 2,60 dólares o galão na Shelter Bay (qualidade excelente). Um amigo abasteceu no Balboa Yate Clube em Panamá City, mais barato, mas teve problema com muita água no diesel.

O gás de cozinha é bem barato, enchem praticamente todos os tipos de bocas, é só deixar na secretaria da marina, é entregue de um dia para o outro.

Se precisar de coisas mais especificas para o barco recomendamos ir para a Cidade do Panamá, de ônibus a viagem dura 1 hora e meia e custa 2,50 dólares com TV e ar. A estação de ônibus na Cidade do Panamá fica dentro de um grande shopping.

Alguns endereços úteis da Cidade do Panamá:

Protecsa – Raymarine, eletronicos em geral, cartas digital (Via Boliver y camino corozal fone 507 227-1053);

Centro Marino – loja náutica (Ave Nacional - fone 507 225-6654);

Albernathy, loja nautica e pesca. São três na cidade (toda quarta feira 30% desconto) www.albernathy.com.pa;

Ilupa – Filtros Baldwin e Óleo Repsol bom preço e grande variedade (Via Fernandez de Córdoba - fone 507 229 8766);

Depois de tudo pronto, é hora de cruzar o Canal.

Por dia passam 60 navios, 30 Pacifico- Caribe, 30 Caribe - Pacifico. Eles pagam em torno de 100 mil a 200 mil dólares cada navio. São 10 mil funcionários no Canal.

Junto com os navios passam 6 barcos menores, veleiros, lanchas, pesqueiros etc…

Existem algumas formas de se posicionar na eclusa, na entrevista você pode escolher qual é melhor para você. E se no dia não sentir confiança ou achar que está prejudicado pode pedir para trocar.

Sempre o maior barco (em tonelagem bruta) do dia fica no meio, nas suas pontas são amarrados mais 2 barcos, formando uma linha de 3. Com o navio a sua frente.

Pode-se passar também grudado a um rebocador, dependendo do dia, até sozinho ou como aconteceu com a gente com apenas um veleiro preso a nosso bombordo. Por isso tem que ir para travessia preparado (pneus e cabos) para todas as opções.

É obrigatório ter 5 tripulantes a bordo, 4 para os cabos e o piloto. Junto no barco sempre vai um pratico (funcionário do Canal).

Arranjar tripulação é relativamente fácil já que sempre tem pessoas dispostas a ajudar no transito, e muitos querem passar com outro barco antes para ver como é.

No dia marcado da travessia tem que encontrar o prático às 17 horas no ancoradouro na frente do PYC ( Zona F). Geralmente a travessia começa às 19 horas e leva em torno de 1 hora para cruzar as 3 primeiras eclusas.

Existem dois tipos de turbulências nas eclusas. Uma quando começa a encher e outra quando o navio que esta passando junto acelera. Por isso os cabos têm que estar sempre tencionados. Os barcos sobem quase 30 metros e chegam ao Lago Gatún onde o pratico desembarca e se pernoita amarrado à uma enorme poita.

Às 7 horas da manhã, ou antes, um novo prático vem a bordo para navegar as 25 milhas até as eclusas da descida (Miraflores).

O motor durante a travessia sempre tem que permanecer ligado, porém se pode ajudar com a vela se quiser, mas somente no lago, nunca nas eclusas.

Perto do meio dia começa a descida, com muito menos turbulência o barco desce as três eclusas e literalmente as portas do mar do Pacífico se abrem.

Existem alguns Iate Clubes na Cidade do Panamá. Yatch Clube de Balboa, onde as embarcações ficam em poitas. Além de estar sempre lotado, recomendamos a ancoragem em La Plaita, onde ficamos, perto do Yatch Clube Flamenco, esse é uma pequena fortuna.

O lugar da ancoragem é bem legal, vários barzinhos, boates, lojas. Bem agitado e nos pareceu muito seguro.

O Panamá de modo geral é um lugar muito interessante. A rota normal dos veleiros é ir para Las Perlas. Nós seguimos atrás de ondas na costa panamenha oeste do Pacifico, onde podemos desfrutar de lugares totalmente desertos, mata virgem, água quente e boas ondas. Mas essa é outra historia…

 

Tradição no meio Náutico.

26 março, 2009



 



Quem disse que o Brasil não tem tradição de vela?

Março de 2009, Panamá, cidade de Colón. Preparação para o Pacifico.

Após fazer o caribe cruzando apenas por relance com um barco brasileiros, o Mar Mar, de Marcelo e sua esposa em Tobago, nossa chegada na Marina Shelter Bay no Panamá foi uma surpresa.

Ao pedir informação via rádio de qual píer deveríamos nos dirigir, uma voz em português nos responde e da todas as dicas.

Logo depois descobrimos que numa marina relativamente pequena, estávamos em sete veleiros brasileiros, ou melhor com tripulação brasileira.

Foi um espanto, pois nem sabíamos que tinha tanto brasileiro por ai viajando de veleiro! Não tem coisa melhor que encontrar brasileiros longe de casa, ainda mais no meio náutico, e logo o vinculo e a amizade foram criados.

Lógico que com tanto Brasileiro por perto o que não faltou foi churrasco, farinha e cachaça.

Foi a maior festa. Especialmente para nós foi muito bom a troca de informação, pois como sempre velejamos sozinhos, tivemos que aprender tudo sozinhos. Apenas uma conversa pode simplificar em muito o processo eterno de aprendizagem.

Fora isso, nos sentimos parte de uma comunidade e pudemos compreender que apesar de cada um de nós termos uma história e objetivos completamente diferentes, somos indiscutivelmente unidos pelo mar. Pela forma como o mar molda o nosso caráter. Pela busca de viver de um modo simples e finalmente pelo desejo de viver intensamente.

Abaixo um pequeno resumo do barcos e seus tripulantes:

Marcelo e Maura, do veleiro Gardian, já saíram do Brasil a 8 anos, conhecem o caribe e seus habitante como poucos, seus filhos que começaram a viagem com eles, agora crescidos 19 e 21 anos são responsáveis por comandar um catamaran de 80 pés na Europa.

Bel e Bob do Bicho Vermelho, um Beneteau 50 pés equipado com a mais completa oficina flutuante que já vimos. Estão no caribe a 6 anos e agora fazendo conserva de tudo, e comprando quilos e quilos de farinha, arroz e bebidas partem para o Pacífico.

Mario e Paula do Pajé, um 45 pés de Alumínio, que com seus dois eólicos marcavam presença sonora no ambiente. Também vão para o Pacifico. Mario leva consigo um humor único e um amplo repertório de brincadeiras.

Bruno, Lu e Bernardo do Caribi um Bavária 44 pés. Passam 6 meses embarcados e os outros 6 meses são arquitetos na cidade do Rio de Janeiros. Bernardo de 9 anos estuda meio ano no Barco e o resto em escola normal no Rio. Eles têm planos de seguir pelo Atlântico até os Estados Unidos e de lá fazer a travessia para a Europa. Mediterrâneo.

Hugo, Gislaine, Talita do Beduína, Catamaran de 38 pés. Também a alguns anos no caribe, passaram grande parte do tempo na Venezuela. Agora com o barco mais pesado pelas conservas e refrigerante partem para o Pacífico, com planos de irem passar uma longa temporada na Austrália.

Valdo e Claudia do Jasmin, Beneteau de 50 pés, continuarão no caribe mais um tempo, para depois cruzar para o Pacifico.

E os mais novos do grupo, nós, Diogo e Flavio do catamaran Itusca, que estamos fazendo uma volta ao mundo relativamente rápida, de dois anos e meio. Já estamos há 6 meses velejando, agora no Pacífico.

 

Canal do Panamá - Nossa porta para o Pacífico

10 março, 2009



 



Na noite do dia 6 de março de 2009, as comportas da primeira eclusa se fechou e o nível da água começou a subir.

Para cruzarmos através do canal do Panamá de um oceano para outro, é necessário subirmos 26 metros até o lago de Gatún. Nós dormimos uma noite no lago, para no dia seguinte navegarmos mais 5 horas até a eclusa de Miraflores, nossa porta para o Pacífico.

Para se cruzar o canal, é necessária a presença de 6 pessoas, sendo uma delas um piloto empregado pelo canal.

Contamos com a ajuda de outros 3 brasileiros. Nosso amigo Daniel de Farias veio de Floripa para cruzar conosco. Nossa tripulação ficou completa quando Marcelo e Maura, do veleiro Gardiam (que estão navegando há 6 anos no Caribe), se prontificaram a ajudar.

Foi uma travessia bem tranquila e uma experiência incrível.

Agora estamos no maior de todos os oceanos e nos sentimos ainda mais distantes de casa.

 

Itusca no Pacífico

08 março, 2009



 



Quando a última das comportas, a de Miraflores, se abriu nós finalmente mudamos de oceano.

No momento estamos no Panamá e iremos em breve para Galápagos e Marquesas.

Em breve no site postaremos uma reportagem completa sobre a travessia do canal.