Arquivos de outubro, 2009
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24 outubro, 2009
Cook Island e Tonga
11 outubro, 2009
Depois de 4 meses na Polinésia Francesa, entre os arquipélagos de Marquesas, Tuamotuos e Tahiti, muitas melhorias no barco, motor novo, corrente e ancora nova e um novo sistema de freezer. Partimos para Tonga com escalas nas remotas Ilhas de Cooks. O primeiro dia de velejo pegamos condição bem diferente, com ventos fortes rondando de todas as direções, chegamos a surfar ondas andando de contra vento algo que nunca tínhamos feito.
Cinco dias de viagem e chegamos em Atutaki pertencente a Cook, com o canal de barcos muito pequeno e raso não conseguimos entrar com o Itusca e tivemos que ficar ancorado literalmente no meio do mar. A ilha é muito parecida com Bora-Bora, montanhosa com águas cristalinas, um excelente velejo de Kite e mergulho, porem sem ondas.
Mais alguns dias de velejo e chegamos a Palmerston, um Atol isolado, onde vivem 55 pessoas, todos descendentes de Willian Máster que ali chegou com suas 3 mulheres no séc XIX. Para não dar briga dividiu a Ilha em 3 onde cada mulher ficou com uma parte para cuidar de seus filhos. Hoje em dia quase 200 anos depois a ilha é uma das mais isoladas que conhecemos, suprimentos só vem em veleiros que saem de Raratonga passam por lá se dispõem a ajudar. Isso a cada 4 ou 5 meses. Muitos furacões também atingem a região o ultimo foi em 2005 e deixou muitos prejuízos.
Apesar de tudo isso, foi o lugar que melhor fomos recebidos, nos trataram como grandes amigos e comíamos todos os dias na casa do Bob Máster. Com ele e sua família fomos convidados para um aniversario de 21 anos. Foi uma cerimônia bem diferente, muito religiosa, com um cronograma que foi seguido à risca. Discursos, cantoria, reza, entrega de uma chave símbolo de sua maior idade, comida, muita comida e danças locais para fechar a tarde. Saímos de lá deixando novos amigos e boas lembranças.
Beveridge Reef não tem terra para fora da água, ninguém mora, fica a 200 milhas da terra mais próxima, alguns naufrágios nas águas calmas e cristalinas, excelente ancoragem, muito peixe e tubarão. Passamos a tarde nesse paraíso fazendo caça submarina e pegando nossa comida para os próximos dias de travessia. O lugar é mágico.
A net dos brasileiros no radio de longa distancia (ssb) acontece todos os dias às 6 da tarde local, passamos todos os waiponts do reef, para os barcos que estavam por vir não perderem esse paraíso.
Tongatapu era nosso destino mais esperado, a previsão de ondas estava muito boa, e as condições do local são maravilhosas. Aqui em Tonga chegamos perto, muito perto do paraíso, com pessoas extremamente amigáveis. Ancoradouros calmos e sem barco do lado das ondas, muito verde e coqueiros, sem ninguém, perfeito.
Apesar dos alarmes de Tsuname na região, aqui no sul de Tonga não sentimos nada, e se não fosse as noticias de parentes no Brasil e no radio, nem saberíamos que algo estava acontecendo a menos de 100 milha da gente.
Já que não tinha mosquito para estragar o paraíso, o alarme de Tsuname e vários terremotos na região, furacão nas Filipinas, a terra se debatendo, nos fez ficar de vigilia constante, tanto de dia como de noite monitorando a variação de maré e mudança no clima.
O Itusca permaneceu parado durante uma semana de muito sol e sem vento, entre dois picos de ondas, uma esquerda forte tubular e uma direita mais ainda. Tudo que sonhávamos quando pensávamos em nossa volta ao mundo, esta se realizando, surfando somente eu, Diogo e Morongo, ondas para todo mundo o tempo todo, saiamos final de tarde, exaustos mais satisfeitos, para contemplar no conforto do Itusca o sol se pondo no mar.
A Ilha de Tungua, já em Hapai, outro grupo de Tonga, encontramos um lugar imperdível, deserto, com uma esquerda muito boa. Depois do Diogo sair de stand up padlle para estudar as ondas e o coral, fomos surfar de prancha, olhávamos para praia e não acreditávamos no que víamos, uma ilha estilo o naufrago no meio nada, totalmente deserta, cheia de coqueiros. Cenário de filmes.
De tarde fomos explorar o local, e encontramos uma trilha na mata fechada, primeiro sinal de humanos, depois de 30 minutos de caminhada, cruzamos a ilha e nos deparamos com uma vila de umas 40 pessoas, foi estranho, parecia que eles que ali estavam durante anos tinham invadido nosso paraíso deserto, e agradecemos por não serem canibais atrás de turistas que nunca aparecem.





