Diário de Bordo - Guadalupe as Ilhas Virgens

05 fevereiro, 2009



O peixe-rei

O barco sacudiu e nós também quando enfrentamos um vento forte e ondas contra no canal entre Dominica e Guadalupe. Como não tínhamos visto para Guadalupe, nos aproximamos de terra para contemplar a paisagem. Guadalupe no passado era chamada de Satanases, pois além dos dois vulcões ativos, a tribo que habitava a região – os Caribs – era extremamente territorialista e praticavam canibalismo também.
O desejo de conhecer o local foi amenizado por outro evento. Nossa carretilha começou a zunir e detectamos que algum peixe de porte grande havia mordido nossa lula artificial.
Era uma batalha dura e cada vez que o peixe parava de nadar por um momento, nós recolhíamos linha. Quando o peixe decidia nadar com força, éramos obrigados a liberar linha novamente, com medo de ela estourar. Foi somente quando o peixe estava a poucos metros do barco que finalmente conseguimos vê-lo. Era azul marinho e refletia a luz do sol. A briga, no entanto ficou ainda mais intensa. Enquanto eu (Diogo) recolhia a linha na carretilha, ouvimos um estalo alto. A carretilha havia quebrado. Sem perder tempo comecei a puxar a linha com a mão e Flavio pegou nosso arpão e passou para o Morongo. Recolhi mais linha e trouxe o peixe para bem próximo do barco. Morongo apontou o arpão e disparou. No mesmo instante a linha rompeu, mas o tiro foi certeiro.
Puxamos o peixe para dentro do barco. Era um King-Fish (peixe-rei) e merecia o nome. Pesando perto de 20 kg, esse belo peixe nos alimentaria por seis dias.
Chegamos à Antigua durante a noite e ficamos impressionados com o tamanho dos iates. Os mastros dos maiores eram tão altos que pareciam enormes antenas.
Diferente das outras ilhas que conhecemos no Caribe, Antigua é uma ilha muito mais habitável, pois suas montanhas são menos íngremes. A costa é muito recortada e a água incrivelmente clara. Alugamos um carro e fomos conhecer a ilha. O passeio valeu a pena.
Como nômades, seguimos em frente. St. Maarten é uma ilha Duty Free. Saímos as compras e deixamos o Itusca ainda mais equipado. A aquisição mais importante foi um filtro de água, para não precisarmos mais comprar água para beber, assim podemos usar nossos 800 litros do tanque e mais a água produzida por nosso dessalinizador. Outra compra simples, mas importante foram as lâmpadas de LED para nossas luzes de navegação. Elas são muito mais econômicas que as convencionais. Economia de energia no veleiro é fundamental.
Nosso amigo Bernardo desembarcou em St. Maarten e nós velejamos para as Ilhas Virgens, mais especificamente para Virgem Gorda. Ali recebemos nosso amigo e campeão mundial de windsurf Kauli Seadi e sua namorada Manu. Ficamos com lotação completa. Oito pessoas a bordo – eu (Diogo), minha esposa Mailyn, Flavio e sua namorada Daniela, Morongo e Marisa e nossos novos convidados.
A ilha é especialmente bonita e a água é muito clara. Navegamos para a parte norte e ancoramos numa espécie de lagoa.
Kauli é uma pessoa superativa e trouxe informação de que na ilha de Anegada encontraríamos ondas. Desde que colocou os pés no barco, ele ficou nos incomodando para que fossemos para Anegada.
Anegada é a ilha mais ao norte da Ilhas Virgens. Diferente de tudo que encontramos até então, é uma ilha completamente plana, com o pico mais alto menor do que dez metros. A ilha fica protegida por uma larga barreira de coral que já produziu mais de 300 naufrágios.
Aproximamos-nos com cautela de ponta noroeste e notamos que as ondas, apesar de não estarem muito grandes, quebravam sobre a bancada. O vento soprava forte e decidimos montar os equipamentos de windsurf. Foi muito divertido e especialmente porque pudemos ver as manobras incríveis do Kauli.
À tarde Kauli mergulhou nos arrecifes em frente ao barco e pegou uma belíssima lagosta, que foi imediatamente devorada por todos nós.
O dia seguinte amanheceu com vento fraco e boas ondas. Pegamos nossas pranchas de stand-up paddle e fomos surfar. Mais um dia de muita diversão. Esse espírito de viajar de veleiro, velejar de wind, kite, surfar, mergulhar e descobrir novos locais é que faz valer a pena todos os 8 anos dedicados no planejamento de nossa volta ao mundo.