Diário de Bordo - Florianópolis à Trinidad & Tobago
29 outubro, 2008
Chega ao fim à primeira parte da viagem. Depois de 2 meses de viagem chegamos a ilha caribenha de Trinidad e Tobago.
O trecho da costa Brasileira foi excelente, com ventos a favor quase que o tempo todo.
Tivemos alguns problemas técnicos no barco, como consumo de bateria excessivo, quebra do piloto automático (duas vezes), curto no inversor e em duas bombas de porão, entre outros pequenos problemas que agradecemos terem acontecido na costa do Brasil, pois foi um aprendizado na área de eletrônica muito importante para gente. Tivemos dicas de vários velejadores que agradecemos muito.
Tivemos a oportunidade de parar em Ilhabela/SP, Rio de Janeiro, Cabo Frio/RJ, Vitória/ES, Abrolhos/BA, Camamu/BA, Morro de São Paulo/BA, Salvador, Recife/PE, João Pessoa/PB, Natal/RN e nosso ultimo porto Fortaleza/CE.
Salvador foi o primeiro porto que tivemos um verdadeiro contato com os velejadores, muitos barcos estavam subindo para Refeno e esperavam la boas condições para seguir viagem. Contatamos Crespo um velejador que nos inspirou nessa aventura, ele foi totalmente atencioso e nos deu varias dicas excelentes.
Em Recife, Rafael que estava conosco voltou para Garopaba, porem recebemos as meninas de nossas vidas, Daniela Aguiar namorada de Flavio e Mailyn Guerreiro esposa de Diogo, elas nos fizeram companhia até chegarmos a Fortaleza e transformaram a viagem ainda melhor. Conhecemos Maracaípe com o Big Rider Rato Fernandes, Porto de Galinhas, e Olinda com toda a sua historia, uma das cidades mais antigas do País. Tivemos uma atenção especial de nosso grande amigo Marcelo Lacerda e sua família. O velejador Vicente Galo proprietário do trimarã Ave Rara referencia na regata internacional Recife – Noronha, também nos deu um grande suporte na cidade.
Depois de uma noite de travessia e uma impressionante adaptação das meninas ao mar chegamos a Cabedelo o porto de João Pessoa/PB, mais exatamente no Jacaré, um dos lugares do Brasil com por sol mais bonito, ao som do Bolero de Ravel tocado com sax em canoa na frente dos bares da região.
Mais 80 milhas e 12 horas de viagem estávamos passando por baixo da recém inaugurado ponte de Natal/RN onde sem perder tempo saímos para um passeio de buggy pela região. No outro dia, Pipa foi a praia escolhida para conhecermos.
A travessia para Fortaleza foi um pouco mais longa, demoramos 2 noites e 1 dia de viagem e Dani e Mailyn sentiram um pouco melhor o que passamos. Estavam desesperadas para pisarem em terra firme.
Fortaleza foi a cidade onde mais encontramos amigos e tivemos também um grande apoio, Gil Bezerra nos impressionava todo o dia nos acompanhando nos programas mais turísticos da região, como o Beach Park , parque das piscinas na cidade vizinha de Beberibe. Jantamos também com grandes amigos como Dudu Mazocatto, Plínio e Adriano Lavezzo, e o campeão mundial de Windsurf Freestile Marcilio Brow que nos acompanhou junto com o Gil num velejo mais ou menos, mas que matou a fissura, na praia do Pacheco.
Compramos nossos suprimentos, muita comida e bebida, diesel nos tanques e água doce, nos despedimos das meninas e de nossos amigos e rumamos a nossa mais longa travessia, 1670 milhas, para Trinidad e Tobago. Agora so o Flavio e o Diogo a bordo do ITUSCA.
Os primeiros dias de travessia foram ótimos, fizemos cerca de 180 milhas por dia, o mar liso, estava tudo perfeito. Quando chegamos na altura do Oiapoque pegamos em menos de 20 minutos 5 peixes, 3 atuns, 1 dourado e 1 barracuda, devolvemos dois ao mar e nos deliciamos por 3 refeições com os outros.
Nos outros dias o vento começou a ser cada vez mais raro, sendo que motoramos quase 5 dias seguidos para podermos chegar ao nosso destino. Usamos muito nossa vela balão sempre que dava ela estava em cima tentando capturar o maximo de vento possível na calmaria interminável.
Estávamos passando pela zona dos doudrames perto da linha do Equador e as calmarias são seguidas de tempestades com ventos de mais de 30 nós, estávamos tão desesperados por ventos que seguíamos as chuvas para poder desligar os motores por algumas horas.
Dia 6 de outubro chegamos a ilha de Trinidad depois de 12 dias de travessia. Aportamos em Chaguarama onde conseguimos um estaleiro para tirarmos o barco da água, minimizando ao maximo as chances de o barco sofrer algum dano por furacões que nessa época assombram o caribe.
Dentro de 2 meses soltaremos as amarras do ITUSCA rumo ao caribe, Grenada aguarde…
Texto: Flavio Jardim

